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25 de maio de 2011

ACORDEM

Texto Acordem, do Professor Grégoire Bonfait. Haviam de ser todos como ele.

"Caros alunos,
Recebi uma mensagem quase-anónima durante a semana passada (quase-anónima no sentido que foi enviado a partir dum endereço e-mail duma pessoa que aparentemente não está inscrita a FG, nem na FCT... ). Respondi a esta mensagem, perguntando com quem estava a falar, não obtive resposta: Meto medo? O teor desta mensagem era basicamente uma queixa sobre as variações de critérios de correcção entre as avaliações semanais corrigidas pelo Prof. João Cruz (JC) e as corrigidas por mim (GB). Por outro lado, soube também que alguns alunos queixaram-se que os exercícios de avaliação duma turma são mais difíceis que os duma outra...

Vamos a isto:
1) Critérios de correcção do Prof. JC mais severos que os meus (GB)?

Provavelmente que os alunos que alegam isto se basearam sobre uma comparação das notas entre as turmas TP1 e TP2 que têm os mesmos exercícios de avaliação. Cedo, vimo-nos (JC e GB) confrontados com esta diferença significativa de notas entre estas duas turmas. Para verificar se um professor era mais severo que outro, corrigi uma vez as avaliações semanais das duas turmas (mesma avaliação). As minhas notas confirmaram esta diferença: As notas da turma TP1 foram efectivamente significativamente inferiores às da turma TP2. Dito duma outra maneira, os alunos da turma TP1 ou trabalham (ainda) menos que os da turma TP2, ou têm bases em matemática ou em física (ainda) mais fracas. Porque é que isto pode acontecer? Pode ser por acaso (neste caso, chama-se a isto uma “flutuação estatística” no sentido que, a priori, todas as turmas deviam ter em média o mesmo nível. Isto acontece muitas vezes e qualquer professor vos dirá que as vezes tem “boas turmas” as vezes turmas “piores”), pode ser por haver “alunos que estragam o grupo” (“dinâmica de grupo negativa”) e outras razões deve haver... Neste caso preciso, desconheço a razão mas como explicarei mais adiante, pouco interessa... Por outro lado, como se pode verificar, a média dos alunos da turma TP4 ( Prof. JC) é muito melhor que a média da turma TP1 ( Prof. JC), ultrapassando em muitos casos a média da turma TP2 (GB)... “Se calhar”, não são bem os professores os “maus da fita” como alguns parecem estar prontos a entender ... O prof. JC põe a disposição dos alunos as avaliações para os alunos poderem corrigir no futuro os erros a não fazer/repetir... Em vez de ralhar e de comparar, e de se lamentar sobre a injustiça da vida, mais eficaz, com certeza, seria de trabalhar durante a semana. Ficariam menos “à rasca”.

2) os testes duma turma são mais difíceis que os duma outra .

Parece que este problema foi muito agudo na avaliação 9. Na avaliação TP1/TP2, havia uma derivada quando na avaliação TP3 era “só preciso” substituir... Vejamos: Na avaliação semanal nº9 das turmas TP1/TP2, era preciso 
1) Calcular o comprimento duma hipotenusa sabendo o comprimento dos dois outros catetos (=(a2+x2)1/2) .. Credo! 
2) Saber derivar ((a2+x2)-1/2)... “Por acaso”, esta mesmíssima função tinha sido derivada na semana anterior...
Quem sabia ultrapassar estas duas “grandes dificuldades”, já tinha 3 valores (/5...). A pergunta seguinte (1val) também tinha sido resolvida a semana anterior. A avaliação semanal nº9 das turmas TP1/TP2 tinha só este exercício enquanto as das outras turmas tinha dois...
É evidente que devendo fazer 3 avaliações diferentes por semana, pode acontecer que, as vezes, os exercícios a resolver possam parecer significativamente diferentes (uma “leva uma derivada”, a outra não!...) com dificuldades diferentes. Se isto aconteceu, em média, os graus de dificuldades foram muito semelhantes. 

Na realidade, o que acontece, é que uma grande parte de vocês não trabalham FG fora das aulas e, evidentemente, neste caso, TUDO parece difícil! até calcular o comprimento duma hipotenusa... No início das minhas aulas TP, costumo salientar alguns do que chamo “erros estúpidos” (cf. pautas TP2/TP3) que podem acontecer de vez em quando. Não é isto que é grave. O que é grave, é repetir vezes sem conta os mesmos erros i.e. nem fazer o esforço de perceber o erro ou de não repeti-la... O que é grave é participar a estas avaliações como se o resultado tivesse pouca importância. O que é grave é pensar que chumbar não tem consequências ... (e... sobre isto a FCT, se calhar, é um pouco permissiva... mas isto é uma outra história). 

Há alunos (e não são tão poucos como isso) que estão nesta posição completamente passiva e amorfa. Estes alunos atrasam e/ou perturbam os outros. Estes alunos ocupam inutilmente espaço e gastam inutilmente recursos humanos e materiais. 
Estes alunos desperdiçam o dinheiro da FCT, i.e. o dinheiro que vem das propinas (do próprio aluno mas também de todos os outros colegas) e que vem dos impostos pago por pessoas que não têm responsabilidade na atitude irresponsável destes alunos. Estes alunos comportam-se como parasitas...

E, de parasitas, pelos tempos que correm, Portugal não precisa.
Acordem!
Cumprimentos,

Prof. Grégoire Bonfait"

17 de maio de 2011

EuroBachelor

Licenciatura com certificado internacionaleurobachelor.jpgA Licenciatura foi certificada com a qualificação internacional Eurobachelor®.
A obtenção do certificado resultou de uma avaliação internacional com visita à Faculdade de avaliadores estrangeiros para entrevistas a alunos e professores, observação de instalações e análise de programas e procedimentos.
Para além de ser uma garantia de qualidade e transparência, que confere empregabilidade à licenciatura em Química Aplicada, a qualificação “Eurobachelor” garante aos licenciados uma mais fácil mobilidade internacional, por exemplo ao dar acesso a cursos de segundo ciclo (Mestrado) em outras instituições internacionais também certificadas com o “Eurobachelor”.
Informação detalhada sobre a certificação Eurobachelor® está disponível emhttp://www.eurobachelor.eu


Esta é a informação acerca do EuroBachelor da minha licenciatura, disponível no site da FCT, secção para candidatos. Mas desenganem-se os futuros alunos desta faculdade. Aparentemente há alguns desacordos em relação à importância deste "Label", com uma única justificação: "Não há nenhuma razão objectiva para dar importância a esse certificado.".

Se me levasse pelos sentimentos como antes, tinha extrovertido um misto de raiva e revolta para com tais afirmações. Leva a crer que a publicidade vale mais que o próprio currículo.

Ainda se perguntam porque será que há pouco sucesso escolar e poucos alunos.  

12 de março de 2011

GAR - 12 de Março 2011

Foi extenuante mas sem dúvida que valeu a pena. Duzentas mil pessoas. 200 000!!! Um grande número sem dúvida.
Obviamente os Homens da Luta foram a principal "palavra de ordem" da manifestação. O que mais me surpreendeu foi a empatia entre várias gerações, a grande heterogeneidade de idades presentes. Não só os tipo GAR, mas jovens-adultos, jovens, algumas crianças e seus pais, avós! Fomos abordados algumas vezes por pessoas mais velhas que nos motivaram, que nos transmitiram os seus desejos, um pouco da sua sabedoria e conhecimento e conhecemos casos reais de pessoas que SOFREM com a situação precária do país.
Uma senhora que perdeu um filho com um ataque de coração dizia que tudo indica que foi o stress  por não encontrar emprego à tanto tempo (ironicamente na semana seguinte à sua morte este conseguiria entrar para a Microsoft, na sequência de uma carta com resposta positiva à entrevista de emprego). A senhora leu-nos o texto que fez para o governo... Algo que me fez ter de controlar muito para não chorar (a lágrima não escorreu, mas esteve lá).
Ainda antes fomos abordados por um septuagenário entusiasta do protesto, que viveu o 25 de Abril e nos apoiava. Insistiu na divulgação da sua admiração por um poeta, Guerra Junqueiro, e acabou por nos oferecer pequenos documentos com algumas palavras sobre o mesmo. Podem consultar aqui o meu exemplar.
Ao que parece este foi um dos poetas e escritores que na altura se opunham ao regime, demasiado lúcidos para a sua época, e quem sabe para qualquer uma.

Ficam as fotos, que por hoje o cansaço não me permite escrever mais e amanha é dia de compensar o trabalho que não fiz hoje. : )


Que giro, podia ser eu, mas com 7 anos de casa já estou a frequentar o doutoramento em caixa de Pingo Doce!

Estimou-se 200 mil pessoas no protesto só em Lisboa!!!!





Não são só jovens presentes nesta manifestação. Todas as gerações, avós, pais, filhos e netos estão solidários com a causa GAR.

Uma excelente pergunta...

Um país mais ou menos...


Assistiu-se às mais variadas formas de protesto.

Este cartaz foi o que me fez rir mais!

Centenas de registos iguais ao meu... ; )

Jel e companhia a cortar o transito do Marquês chamando os protestantes para perto deles. A polícia cedeu rapidamente à vontade da população.

17 de fevereiro de 2011

Geração à Rasca

É essa a nossa geração, licenciados ou não, a vida dos jovens está cada vez mais difícil.
Ontem deu na SIC Notícias uma reportagem acerca das oportunidades dos jovens versus adultos no mercado de trabalho. A perda de regalias, diferenças de ordenado e percentagem de desemprego são assustadores. Um aluno licenciado pode ficar meses, por vezes anos sem encontrar trabalho e, quem sabe, pode nem vir a encontrar na área em que estudou.
Noto alguns problemas que levam a este acontecimento. Relembro um aluno que estudou realização de cinema e não encontra nada na área em Portugal. Antigamente o curso de cinema dava acesso a trabalhos menores, e o ex-estudante progredia na sua vida profissional até chegar ao seu objectivo. Actualmente todos querem "saltar de para-quedas" para aquilo que estudaram, e de certo modo até com razão, pois têm os conhecimentos necessários para tal.
No entanto é extremamente improvável alguém começar um emprego pelo topo da hierarquia! Obviamente que eu, enquanto futuro licenciado em Química, não vou começar por lavar chão, mas a verdade é que serei tratado de igual para igual com um técnico de nível 3 ou 4 (como aliás já eu sou, e confirmei o sucedido no meu anterior estágio na Hikma Pharmaceutical).
Num outro caso da referida reportagem, um aluno que estudou hotelaria queixa-se que não tem emprego pois pedem experiência profissional, e noutros empregos com menores habilitações literárias também lhe pedem experiência. Isto não tem desculpa possível, é uma questão de bom senso da parte de quem procura emprego. O que a entidade procura saber é se se tem noção de responsabilidade, mais do que experiência profissional na área propriamente dita. Ora, se um aluno se limita a fazer um curso bolonha sem nada extra-curricular, sem um trabalho aos fim-de-semanas, ou o quer que seja, torna-se muito mais difícil que o aceitem num emprego. Isto é mais que óbvio. Logicamente, actualmente ter um mestrado é uma mais valia, pois as empresas também dão preferência a mestrado ou pré-bolonha.

Durante a reportagem reparei no "slogan" da mesma, em rodapé: "Geração à Rasca", à qual se referiram também como geração Deolinda. Foi um pouco solto, achei estranho a inicio mas depois apercebi-me que foi a única maneira de transmitirem uma ideia sem a evidenciar de forma pouco profissional como faz o Jornal da TVI.

Pesquisei e cheguei ao Blog Protesto da Geração À Rasca. Este blog está a organizar um protesto por forma a demonstrar a insatisfação dos jovens com a crescente precariedade nos subsídios, bolsas, estágios, empregos não remunerados, oportunidades e falta de aplicação dos especializados, da mão de obra de ponta que se gera no nosso país e que se vê obrigada a sair para os países que nos querem aproveitar.

Deixo-vos com o protesto, e as "palavras de ordem":
Nós, desempregados, “quinhentoseuristas” e outros mal remunerados, escravos disfarçados, subcontratados, contratados a prazo, falsos trabalhadores independentes, trabalhadores intermitentes, estagiários, bolseiros, trabalhadores-estudantes, estudantes, mães, pais e filhos de Portugal.
Nós, que até agora compactuámos com esta condição, estamos aqui, hoje, para dar o nosso contributo no sentido de desencadear uma mudança qualitativa do país. Estamos aqui, hoje, porque não podemos continuar a aceitar a situação precária para a qual fomos arrastados. Estamos aqui, hoje, porque nos esforçamos diariamente para merecer um futuro digno, com estabilidade e segurança em todas as áreas da nossa vida.
Protestamos para que todos os responsáveis pela nossa actual situação de incerteza – políticos, empregadores e nós mesmos – actuem em conjunto para uma alteração rápida desta realidade, que se tornou insustentável.
Caso contrário:
a) Defrauda-se o presente, por não termos a oportunidade de concretizar o nosso potencial, bloqueando a melhoria das condições económicas e sociais do país. Desperdiçam-se as aspirações de toda uma geração, que não pode prosperar.
b) Insulta-se o passado, porque as gerações anteriores trabalharam pelo nosso acesso à educação, pela nossa segurança, pelos nossos direitos laborais e pela nossa liberdade. Desperdiçam-se décadas de esforço, investimento e dedicação.
c) Hipoteca-se o futuro, que se vislumbra sem educação de qualidade para todos e sem reformas justas para aqueles que trabalham toda a vida. Desperdiçam-se os recursos e competências que poderiam levar o país ao sucesso económico.
Somos a geração com o maior nível de formação na história do país. Por isso, não nos deixamos abater pelo cansaço, nem pela frustração, nem pela falta de perspectivas. Acreditamos que temos os recursos e as ferramentas para dar um futuro melhor a nós mesmos e a Portugal.
Não protestamos contra as outras gerações. Apenas não estamos, nem queremos estar à espera que os problemas se resolvam. Protestamos por uma solução e queremos ser parte dela.