Das cinco cadeiras deste semestre, três estão feitas de forma confirmada. Uma, ainda me falta: química física II, pois quando devia estar a estudar para o exame normal estava com uma bela insolação. Assim lá fui eu passear ao exame, ver as perguntas típicas, o que me saiu caro pela vergonha de me ter esquecido da máquina gráfica no auditório e de ter recebido mail do professor para a ir buscar (tenham em conta que tinha “auxiliares de memória” na máquina, mas nem era minha intenção usá-los -- raramente os uso, faço-os sempre).
Entretanto, quanto a Biologia Molecular, cadeira cujo exame foi há mais de duas semanas, ainda não sei se passei ou não pois as notas insistem em não sair.
Soube agora que os professores apenas têm obrigação de publicarem os resultados dos exames de época normal até 3 dias antes do de recurso. Esta mentalidade, a de um professor se permitir deliberadamente de chegar ao limite do prazo é irresponsável, no mínimo.
Em cadeiras com 200 alunos, sabendo que a maioria vai a exame normal, muitos, pelos mais diversos motivos, quererão rever a prova antes do recurso. E quanto mais cedo melhor! Pois não me parece humanamente possível um professor “atender” cerca de 200 alunos em dois dias, antes do exame de recurso. Isto leva aos maus resultados, às reprovações, e aos facilitismos em anos posteriores (como acontece em Elementos de Análise E Álgebra I e II em que alunos chegaram a ter 20,5 valores num teste(!)).
Lamento estar a escrever isto no meu blog. Aliás, sinto repulsa. Mas esta é a vida de um universitário: eu. A faculdade que frequento, pela qual nutro um carinho especial, sofre com as atitudes de cada um. Atitudes individuais que geram desordem (ou entropia citando o termo do professor Abel). Estas posições face às responsabilidades levam a faculdade para rankings cada vez mais baixos, pois esta não é feita das médias dos alunos mas sim da qualidade com que estes desempenham as capacidades, adquiridas no mundo académico, em ambiente de trabalho.
É essa a nossa geração, licenciados ou não, a vida dos jovens está cada vez mais difícil.
Ontem deu na SIC Notícias uma reportagem acerca das oportunidades dos jovens versus adultos no mercado de trabalho. A perda de regalias, diferenças de ordenado e percentagem de desemprego são assustadores. Um aluno licenciado pode ficar meses, por vezes anos sem encontrar trabalho e, quem sabe, pode nem vir a encontrar na área em que estudou.
Noto alguns problemas que levam a este acontecimento. Relembro um aluno que estudou realização de cinema e não encontra nada na área em Portugal. Antigamente o curso de cinema dava acesso a trabalhos menores, e o ex-estudante progredia na sua vida profissional até chegar ao seu objectivo. Actualmente todos querem "saltar de para-quedas" para aquilo que estudaram, e de certo modo até com razão, pois têm os conhecimentos necessários para tal.
No entanto é extremamente improvável alguém começar um emprego pelo topo da hierarquia! Obviamente que eu, enquanto futuro licenciado em Química, não vou começar por lavar chão, mas a verdade é que serei tratado de igual para igual com um técnico de nível 3 ou 4 (como aliás já eu sou, e confirmei o sucedido no meu anterior estágio na Hikma Pharmaceutical).
Num outro caso da referida reportagem, um aluno que estudou hotelaria queixa-se que não tem emprego pois pedem experiência profissional, e noutros empregos com menores habilitações literárias também lhe pedem experiência. Isto não tem desculpa possível, é uma questão de bom senso da parte de quem procura emprego. O que a entidade procura saber é se se tem noção de responsabilidade, mais do que experiência profissional na área propriamente dita. Ora, se um aluno se limita a fazer um curso bolonha sem nada extra-curricular, sem um trabalho aos fim-de-semanas, ou o quer que seja, torna-se muito mais difícil que o aceitem num emprego. Isto é mais que óbvio. Logicamente, actualmente ter um mestrado é uma mais valia, pois as empresas também dão preferência a mestrado ou pré-bolonha.
Durante a reportagem reparei no "slogan" da mesma, em rodapé: "Geração à Rasca", à qual se referiram também como geração Deolinda. Foi um pouco solto, achei estranho a inicio mas depois apercebi-me que foi a única maneira de transmitirem uma ideia sem a evidenciar de forma pouco profissional como faz o Jornal da TVI.
Pesquisei e cheguei ao Blog Protesto da Geração À Rasca. Este blog está a organizar um protesto por forma a demonstrar a insatisfação dos jovens com a crescente precariedade nos subsídios, bolsas, estágios, empregos não remunerados, oportunidades e falta de aplicação dos especializados, da mão de obra de ponta que se gera no nosso país e que se vê obrigada a sair para os países que nos querem aproveitar.
Deixo-vos com o protesto, e as "palavras de ordem":
Nós, desempregados, “quinhentoseuristas” e outros mal remunerados, escravos disfarçados, subcontratados, contratados a prazo, falsos trabalhadores independentes, trabalhadores intermitentes, estagiários, bolseiros, trabalhadores-estudantes, estudantes, mães, pais e filhos de Portugal.
Nós, que até agora compactuámos com esta condição, estamos aqui, hoje, para dar o nosso contributo no sentido de desencadear uma mudança qualitativa do país. Estamos aqui, hoje, porque não podemos continuar a aceitar a situação precária para a qual fomos arrastados. Estamos aqui, hoje, porque nos esforçamos diariamente para merecer um futuro digno, com estabilidade e segurança em todas as áreas da nossa vida.
Protestamos para que todos os responsáveis pela nossa actual situação de incerteza – políticos, empregadores e nós mesmos – actuem em conjunto para uma alteração rápida desta realidade, que se tornou insustentável.
Caso contrário:
a) Defrauda-se o presente, por não termos a oportunidade de concretizar o nosso potencial, bloqueando a melhoria das condições económicas e sociais do país. Desperdiçam-se as aspirações de toda uma geração, que não pode prosperar.
b) Insulta-se o passado, porque as gerações anteriores trabalharam pelo nosso acesso à educação, pela nossa segurança, pelos nossos direitos laborais e pela nossa liberdade. Desperdiçam-se décadas de esforço, investimento e dedicação.
c) Hipoteca-se o futuro, que se vislumbra sem educação de qualidade para todos e sem reformas justas para aqueles que trabalham toda a vida. Desperdiçam-se os recursos e competências que poderiam levar o país ao sucesso económico.
Somos a geração com o maior nível de formação na história do país. Por isso, não nos deixamos abater pelo cansaço, nem pela frustração, nem pela falta de perspectivas. Acreditamos que temos os recursos e as ferramentas para dar um futuro melhor a nós mesmos e a Portugal.
Não protestamos contra as outras gerações. Apenas não estamos, nem queremos estar à espera que os problemas se resolvam. Protestamos por uma solução e queremos ser parte dela.
Um novo semestre começou. Horário fantástico que tenho, quase sem aulas à tarde (isto depende um pouco das práticas), e com quarta-feira livre para dormir até às tantas.
Há sempre alguns aspectos negativos também... Microbiologia tem muitos alunos inscritos. Eu disse muitos? Andamos pelos 200 alunos a respirar o mesmo ar suado de um auditório com uma péssima acústica durante uma hora e meia. Não se compreende como é que, havendo tantos alunos, não se fazem turnos nem que seja para facilitar a tarefa do professor, que tem de estar sempre a mandar calar.
Por falar no professor de microbiologia... Nunca pensei que alguém me parecesse tão cómico ao ponto de me fazer rir cada vez que olho para ele, e não é uma patologia de foro psiquiátrico meu! Várias pessoas estavam com a mesma reacção! Ao menos isso, mesmo que não goste da cadeira, levo-a com alguma descontracção.
Enfim... Mais coisas chatas que podia aqui contar, que resumo: tenho testes, muitos, aos sábados de manha (-.-'), alguns às quartas, por vezes 2 seguidos (-.-''), e muita muita matéria para estudar desde já...
Ainda agora comecei e já me sinto cansado, mas confesso que não tenho dormido muito (o meu relógio interno ainda está em horário de férias e as greves dos comboios fazem levantar-me mais cedo).
"Presidido e nomeado pelo Presidente da SPQ, de acordo com o Regulamento, o júri constituído para a avaliação das candidaturas reuniu em Lisboa, na sede, em 27 de Outubro, tendo decidido por unanimidade atribuir o Prémio Ferreira da Silva 2010 ao Prof. Fernando Jorge da Silva Pina, Professor Catedrático da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (Campus de Monte de Caparica). Decidiu ainda atribuir ex-aequo a Medalha Vicente de Seabra ao Prof. Eurico José da Silva Cabrita, Professor Auxiliar da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (Campus de Monte de Caparica) e ao Dr. José Richard Baptista Gomes, Investigador Auxiliar do CICECO da Universidade de Aveiro. Os premiados proferirão conferências no próximo Encontro Nacional da SPQ, a realizar em Braga em 2011."
Os meus parabéns em especial aos professores Eurico Cabrita e Fernando Pina. Dá sempre um certo orgulhinho ser aluno de professores com carreiras de sucesso... Espero um dia poder ter também "o meu momento".
Ela, Professora Elvira Gaspar, deu-nos aulas de técnicas de laboratório e segurança (aka TLS), e era regente da cadeira.
O que não se percebe na notícia lançada é: como é que uma docente chumba mais de metade dos alunos da cadeira, quando só avaliou 1/4 dos mesmos!?
Isto foi com toda a certeza levado a cabo por "alguém" que a quereria remover do cargo. Mas esse alguém não olhou a meios e desrespeitou a professora não averiguando a situação e não entrando em contacto com a mesma.
O nosso país está a entrar numa fase cada vez mais regida pelo facilitismo! Isto é uma vergonha nacional!