O curso está a acabar para os meus veteranos. Não todos, infelizmente, mas para bastantes. A queima das fitas já foi e agora está na hora de prestar as últimas provas.
Destaco os diplomados que já acabaram o curso:
Não são poucos os que acabam todos os anos o nosso curso, embora nem todos do mesmo ano (tome-se como exemplo que este ano já existe um diplomado que era aluno do ano anterior e provavelmente só acabou em época especial).
Agora também está na hora de eu prestar contas. Mas estou tão cansado e com uma moleza que não me apetece fazer nada! AAAAAH Vamos a isto...
Uma cadeira já acabou... Faltam 4 para o Verão me invadir as ideias. ; )
Foi extenuante mas sem dúvida que valeu a pena. Duzentas mil pessoas. 200 000!!! Um grande número sem dúvida.
Obviamente os Homens da Luta foram a principal "palavra de ordem" da manifestação. O que mais me surpreendeu foi a empatia entre várias gerações, a grande heterogeneidade de idades presentes. Não só os tipo GAR, mas jovens-adultos, jovens, algumas crianças e seus pais, avós! Fomos abordados algumas vezes por pessoas mais velhas que nos motivaram, que nos transmitiram os seus desejos, um pouco da sua sabedoria e conhecimento e conhecemos casos reais de pessoas que SOFREM com a situação precária do país.
Uma senhora que perdeu um filho com um ataque de coração dizia que tudo indica que foi o stress por não encontrar emprego à tanto tempo (ironicamente na semana seguinte à sua morte este conseguiria entrar para a Microsoft, na sequência de uma carta com resposta positiva à entrevista de emprego). A senhora leu-nos o texto que fez para o governo... Algo que me fez ter de controlar muito para não chorar (a lágrima não escorreu, mas esteve lá).
Ainda antes fomos abordados por um septuagenário entusiasta do protesto, que viveu o 25 de Abril e nos apoiava. Insistiu na divulgação da sua admiração por um poeta, Guerra Junqueiro, e acabou por nos oferecer pequenos documentos com algumas palavras sobre o mesmo. Podem consultar aqui o meu exemplar.
Ao que parece este foi um dos poetas e escritores que na altura se opunham ao regime, demasiado lúcidos para a sua época, e quem sabe para qualquer uma.
Ficam as fotos, que por hoje o cansaço não me permite escrever mais e amanha é dia de compensar o trabalho que não fiz hoje. : )
Que giro, podia ser eu, mas com 7 anos de casa já estou a frequentar o doutoramento em caixa de Pingo Doce!
Estimou-se 200 mil pessoas no protesto só em Lisboa!!!!
Não são só jovens presentes nesta manifestação. Todas as gerações, avós, pais, filhos e netos estão solidários com a causa GAR.
Uma excelente pergunta...
Um país mais ou menos...
Assistiu-se às mais variadas formas de protesto.
Este cartaz foi o que me fez rir mais!
Centenas de registos iguais ao meu... ; )
Jel e companhia a cortar o transito do Marquês chamando os protestantes para perto deles. A polícia cedeu rapidamente à vontade da população.
É essa a nossa geração, licenciados ou não, a vida dos jovens está cada vez mais difícil.
Ontem deu na SIC Notícias uma reportagem acerca das oportunidades dos jovens versus adultos no mercado de trabalho. A perda de regalias, diferenças de ordenado e percentagem de desemprego são assustadores. Um aluno licenciado pode ficar meses, por vezes anos sem encontrar trabalho e, quem sabe, pode nem vir a encontrar na área em que estudou.
Noto alguns problemas que levam a este acontecimento. Relembro um aluno que estudou realização de cinema e não encontra nada na área em Portugal. Antigamente o curso de cinema dava acesso a trabalhos menores, e o ex-estudante progredia na sua vida profissional até chegar ao seu objectivo. Actualmente todos querem "saltar de para-quedas" para aquilo que estudaram, e de certo modo até com razão, pois têm os conhecimentos necessários para tal.
No entanto é extremamente improvável alguém começar um emprego pelo topo da hierarquia! Obviamente que eu, enquanto futuro licenciado em Química, não vou começar por lavar chão, mas a verdade é que serei tratado de igual para igual com um técnico de nível 3 ou 4 (como aliás já eu sou, e confirmei o sucedido no meu anterior estágio na Hikma Pharmaceutical).
Num outro caso da referida reportagem, um aluno que estudou hotelaria queixa-se que não tem emprego pois pedem experiência profissional, e noutros empregos com menores habilitações literárias também lhe pedem experiência. Isto não tem desculpa possível, é uma questão de bom senso da parte de quem procura emprego. O que a entidade procura saber é se se tem noção de responsabilidade, mais do que experiência profissional na área propriamente dita. Ora, se um aluno se limita a fazer um curso bolonha sem nada extra-curricular, sem um trabalho aos fim-de-semanas, ou o quer que seja, torna-se muito mais difícil que o aceitem num emprego. Isto é mais que óbvio. Logicamente, actualmente ter um mestrado é uma mais valia, pois as empresas também dão preferência a mestrado ou pré-bolonha.
Durante a reportagem reparei no "slogan" da mesma, em rodapé: "Geração à Rasca", à qual se referiram também como geração Deolinda. Foi um pouco solto, achei estranho a inicio mas depois apercebi-me que foi a única maneira de transmitirem uma ideia sem a evidenciar de forma pouco profissional como faz o Jornal da TVI.
Pesquisei e cheguei ao Blog Protesto da Geração À Rasca. Este blog está a organizar um protesto por forma a demonstrar a insatisfação dos jovens com a crescente precariedade nos subsídios, bolsas, estágios, empregos não remunerados, oportunidades e falta de aplicação dos especializados, da mão de obra de ponta que se gera no nosso país e que se vê obrigada a sair para os países que nos querem aproveitar.
Deixo-vos com o protesto, e as "palavras de ordem":
Nós, desempregados, “quinhentoseuristas” e outros mal remunerados, escravos disfarçados, subcontratados, contratados a prazo, falsos trabalhadores independentes, trabalhadores intermitentes, estagiários, bolseiros, trabalhadores-estudantes, estudantes, mães, pais e filhos de Portugal.
Nós, que até agora compactuámos com esta condição, estamos aqui, hoje, para dar o nosso contributo no sentido de desencadear uma mudança qualitativa do país. Estamos aqui, hoje, porque não podemos continuar a aceitar a situação precária para a qual fomos arrastados. Estamos aqui, hoje, porque nos esforçamos diariamente para merecer um futuro digno, com estabilidade e segurança em todas as áreas da nossa vida.
Protestamos para que todos os responsáveis pela nossa actual situação de incerteza – políticos, empregadores e nós mesmos – actuem em conjunto para uma alteração rápida desta realidade, que se tornou insustentável.
Caso contrário:
a) Defrauda-se o presente, por não termos a oportunidade de concretizar o nosso potencial, bloqueando a melhoria das condições económicas e sociais do país. Desperdiçam-se as aspirações de toda uma geração, que não pode prosperar.
b) Insulta-se o passado, porque as gerações anteriores trabalharam pelo nosso acesso à educação, pela nossa segurança, pelos nossos direitos laborais e pela nossa liberdade. Desperdiçam-se décadas de esforço, investimento e dedicação.
c) Hipoteca-se o futuro, que se vislumbra sem educação de qualidade para todos e sem reformas justas para aqueles que trabalham toda a vida. Desperdiçam-se os recursos e competências que poderiam levar o país ao sucesso económico.
Somos a geração com o maior nível de formação na história do país. Por isso, não nos deixamos abater pelo cansaço, nem pela frustração, nem pela falta de perspectivas. Acreditamos que temos os recursos e as ferramentas para dar um futuro melhor a nós mesmos e a Portugal.
Não protestamos contra as outras gerações. Apenas não estamos, nem queremos estar à espera que os problemas se resolvam. Protestamos por uma solução e queremos ser parte dela.